Balada de Outono
José Afonso

Águas passadas do rio 
Meu sono vazio 
Não vão acordar 
Águas das fontes calai 
Ó ribeiras chorai 
Que eu não volto a cantar 

Rios que vão dar ao mar 
Deixem meus olhos secar 
Águas das fontes calai 
Ó ribeiras chorai 
Que eu não volto a cantar 

Águas do rio correndo 
Poentes morrendo 
P’ras bandas do mar 
Águas das fontes calai 
Ó ribeiras chorai 
Que eu não volto a cantar 

Rios que vão dar ao mar 
Deixem meus olhos secar 
Águas das fontes calai 
Ó ribeiras chorai 
Que eu não volto a cantar

Maria
Antero de Quental / João Farinha

Tenho cantado esperanças...
Tenho falado d'amores...
Das saudades e dos sonhos
Com que embalo as minhas dores...

Entre os ventos suspirando
Vagas, ténues harmonias,
Tendes visto como correm
Minhas doidas fantasias.

E eu cuidei que era poesia
Todo esse louco sonhar...
Cuidei saber o que é vida
Só porque sei delirar...

Só porque a noite, dormindo
Ao seio duma visão,
Encontrava algum alivio,
Meu dorido coração,

Cuidei ser amor aquilo
E ser aquilo viver...
Oh! que sonhos que se abraçam
Quando se quer esquecer!

Eram fantasmas que a noite
Trouxe, e o dia já levou...
A luz da estranha alvorada
Hoje minha alma acordou!

Esquecei aqueles cantos...
Só agora sei falar!
Perdoa-me esses delírios...
Só agora soube amar!

Trova do Vento que passa
Manuel Alegre / António Portugal


Pergunto ao vento que passa 
Notícias do meu país 
E o vento cala a desgraça 
O vento nada me diz 
E o vento cala a desgraça 
O vento nada me diz 

Mas há sempre uma candeia 
Dentro da própria desgraça 
Há sempre alguém que semeia 
Canções no vento que passa 
Há sempre alguém que semeia 
Canções no vento que passa 

Mesmo na noite mais triste 
Em tempo de servidão 
Há sempre alguém que resiste 
Há sempre alguém que diz não 
Há sempre alguém que resiste 
Há sempre alguém que diz não

Olho o Mondego
Paulo Figueiredo

Olho o Mondego, 
Canto apressado, corrente 
Que o amor cego 
Canta nas margens, dolente 

Longas e belas 
Horas de amor partilhadas 
Sol, chuva e estrelas 
E as nossas vidas paradas. 

E a água vai, leva o Mondego 
A tarde cai, fica o sossego 
O nosso amor conta a memória 
Rio doutor da nossa história 

Já espelha a lua 
O andar lento do rio 
Mãos, minha e tua 
Apertam para longe o frio 

Tantos rios passados 
Tanto sentir no meu peito 
Levas, Mondego, afinados 
Cantos de amor no teu leito.

E a água vai, leva o Mondego 
A tarde cai, fica o sossego 
O nosso amor conta a memória 
Rio doutor da nossa história

Ondas do Mar
Carlos Figueiredo

Meu amor vem sobre as ondas 
Meu amor vem sobre o mar [bis] 
Ai quem me dera morrer 
Nas águas do teu olhar [bis]

Meu amor vem sobre as ondas 
Meu amor vem sobre o mar

Dos meus olhos meu amor 
Nascem as ondas do mar... [bis] 
Lágrimas tristes que choro 
Saudades do teu olhar!... [bis]

Dos meus olhos meu amor 
Nascem as ondas do mar...

Como é possível perder-te
Maria Teresa Horta / João Farinha

Como é possível perder-te 
Sem nunca te ter achado 
Nem na polpa dos meus dedos 
Se ter formado o afago 

Sem termos sido a cidade 
Nem termos rasgado pedras 
Sem descobrirmos a cor 
Nem o interior da erva.

Como é possível perder-te 
Sem nunca te ter achado 
Minha raiva de ternura 
Meu ódio de conhecer-te 

Minha alegria profunda
Como é possível perder-te
Sem termos sido a cidade 
Nem termos rasgado pedras 
Sem descobrirmos a cor 
Nem o interior da erva.

Como é possível perder-te …

Romagem à Lapa
Luiz Góes

Se um dia a vida parasse 
E a gente voltasse 
Ao tempo que havia 

E se o Mondego passasse 
E a todos levasse 
A um velho dia 

Talvez a lapa cantasse 
E em pedra gravasse 
A nossa alegria 

Talvez a Lapa sorrisse 
E à pedra se ouvisse Olá, poesia 

Se agora o rio pudesse 
Juntar quem padece 
De tal nostalgia 

E tanta gente viesse, 
Sem sonhos nem prece 
E sem rebeldia 

Talvez a Lapa chorasse 
Em pedra gravasse 
A nossa agonia 

Talvez a Lapa sofresse 
E à pedra dissesse 
Adeus, poesia

Abre a voz
João Farinha

Já está tudo dito,
É o mesmo que dizer
Que não acredito
Que poeta hei-de ser

É isto o que sinto
Ao tentar escrever
Confesso e não minto
Desconheço esse prazer

O que a alma diz
Do seio mais profundo
São parcas palavras
Que resgato ao mundo

E se posso almejar
Algo transmitir
Terei de o cantar
E a voz abrir

Canta alto, abre a voz
Voa no destino
Canta alto, abre a voz
Grita um canto, um hino

Esta voz que canta
De dentro para fora
Da alma me vem
E o coração me devora

Se oiço um gemido
Se encontro o amar
A dor da minha voz
Solta o meu sonhar

Canta alto, abre a voz 
Voa no destino
Canta alto, abre a voz
Grita um canto, um hino

Canta alto, abre a voz
Voa no destino
Canta alto, abre a voz
Rasga o teu caminho
 

Beijo
Ruy Coelho / Afonso Lopes

À minha amada, na praia 
Dei um beijo, a sós e a medo 
Mas a onda que desmaia 
Foi contar o meu segredo 

E às outras logo contando 
O beijo que me viu dar, 
Foi de onda em onda passando 
O meu segredo, a cantar

Treme ansioso o teu seio 
E eu, pálido de temor 
Que todo o mar anda cheio 
Daquele beijo de amor.

Balada da Despedida 5º ano jurídico 1988/89
António Vicente / Rui Lucas / João Paulo Sousa

Sentes que o tempo acabou 
Primavera de flor adormecida 
Qualquer coisa que não volta, que voou 
Que foi um rio, um ar, na tua vida 

E levas em ti guardado 
O choro de uma balada 
Recordações de um passado 
E o bater da velha cabra 

Capa negra de saudade 
No momento da partida 
Segredos desta cidade 
Levo comigo pra vida 

Capa negra de saudade 
No momento da partida 
Segredos desta cidade 
Levo comigo pra vida 

Sabes que o desenho do adeus
É fogo que nos queima devagar 
E no lento cerrar dos olhos teus 
Fica a esperança de um dia aqui voltar 

E levas em ti guardado 
O choro de uma balada 
Recordações de um passado 
E o bater da velha cabra 

Capa negra de saudade 
No momento da partida 
Segredos desta cidade 
Levo comigo pra vida